terça-feira, 2 de agosto de 2016

ADMINISTRANDO O TEMPO PARA A FAMÍLIA



De todas as mordomias que Deus confiou ao obreiro, a mais difícil de administrar é a do tempo. É comum a família do obreiro ficar em segundo plano. Muitas vezes de um lado o obreiro desempenha um ministério público e bem sucedido, mas por outro uma vida familiar fragmentada e até mesmo desestruturada. É comum que por trás de obreiros queridos e admirados estejam esposas e filhos carentes que sofrem. Para muitos ministros a fé cristã tornou-se algo institucional, ativista e pragmática, deixando de atentar para os vínculos, intimidade e interatividade dos relacionamentos familiares.
   Para todas as pessoas, inclusive para o obreiro, o casamento envolve muita coisa: interesses comuns, convicções firmes e, principalmente, maturidade. O casamento não é só satisfação de instintos: é uma aliança que leva em conta a missão[1].
  A família  não é perfeita; e a família do obreiro tampouco; está sujeita aos desencontros, ás crises pessoais e mesmo relacionais. As vezes, movidos pelo desejo de ver o trabalho crescer o obreiro investe todo o seu tempo nas atividades eclesiásticas deixando contudo sua família desprovida de sua companhia em virtude de suas prolongadas ausências, e pela superficialidade das demonstrações de afeto e ternura quando está junto com os seus. O ativismo tem seu preço: o obreiro muitas vezes torna-se fatigado, esgotado, calado para com a sua esposa e sempre ausente para os filhos.

1.    A IMPORTÂNCIA DE SEPARAR TEMPO PARA A FAMÍLIA
  Feliz o obreiro que tem em seu lar um abrigo de paz e amor. Feliz o obreiro que dispõe do apoio e cooperação de sua esposa e filhos. Embora a crise moral e espiritual tenha desmantelado a família em nossa sociedade, a Bíblia estabelece como requisito fundamental para o ministério pastoral uma família exemplar. Diz o Dr. A. R. Crabtree que “de todas as influências que ajudam ou prejudicam a vida ministerial do pastor, talvez a do seu lar seja a mais poderosa. Se fracassar como pai é impossível que seja eficiente como pastor [2].”
   Não existe na terra outra instituição que seja mais semelhante à igreja de Cristo que a família cristã. Foi o Senhor Jesus quem deu a mulher o devido valor, bem como a criança. Os laços de amor que prendem os membros da família um ao outro também são necessários na igreja do Senhor. O poder do amor que pode resolver os problemas familiares é o mesmo que deve caracterizar os membros da igreja de Cristo. E diante de tudo, conclui-se que é imprescindível para o obreiro separar tempo para sua esposa e filhos. Diz um pastor e terapeuta familiar que “o tempo que investimos na família mostra a importância que damos a ela.”
   Uma pesquisa publicada nos Estados Unidos apresentou as dificuldades que mais produzem problemas conjugais entre pastores:
81% - Tempo insuficiente em conjunto;
71% - Uso do dinheiro;
70% - Nível de renda;
64% - Dificuldades de comunicação;
63% - Expectativas da congregação;
57% - Diferenças quanto ao lazer;
53% - Dificuldades na criação de filhos;
46% - Problemas sexuais;
41% - Rancor do pastor em relação à esposa;
35% - Diferenças quanto à carreira ministerial;
25% - Diferenças quanto à carreira da esposa[3];
  Um evangelista americano disse com muita tristeza que durante muitos anos, havia viajado em cruzadas para ganhar as almas dos filhos de outros homens, e havia deixado os seus filhos à própria sorte. O pastor tem obrigações para com sua família que são inadiáveis. Não é fácil criar filhos, especialmente quando o tempo que se tem é gasto quase todo na igreja e no seu trabalho.
   Um lar forte começa com o pastor, ele deve valorizar e investir tempo nas instituições familiares mais do que as outras pessoas. Um lar precário é sinônimo de um ministério falido. Além de o pastor possuir esta perspectiva em mente, a sua esposa deve compartilhar o mesmo ideal de ministério. Ela precisa dar apoio incondicional ao esposo senão as pressões ministeriais atingirão a todos no lar.
   Os Obreiros precisam se conscientizar que o casamento deve ser alimentado cotidianamente, seja através de palavras e atos. Tomar decisões de investir tempo para estar com a esposa a sós, seja num passeio diário ou semanal, nas comemorações de aniversário de casamento são importantes para se construir uma vida conjugal saudável.
   O pastor que demonstra publicamente amar a esposa é um bom exemplo para os homens da igreja; deve dar tempo a esposa, pois ela tem necessidade de intimidade. A esposa do pastor não deve competir com a igreja pelo tempo do marido. É bom lembrar que o pastor e a esposa precisam de amigos com quem confidenciar.
  O obreiro não é apenas o pastor de dezenas, centenas ou milhares de pessoas é o pastor de sua família. Como pai deverá ser cabeça da família (Ef 5.23; 1Co 11.3). A figura bíblica do esposo como cabeça evoca a responsabilidade de:

a) Provedor – Tem a responsabilidade de suprir todas as necessidades da família. No que diz respeito ao alimento, educação e ensino no temor do Senhor.

b) Sacerdote - Efésios 5.22-33 revela-nos que o marido está para a esposa como Cristo para a Igreja. Se Cristo é o sumo sacerdote da família espiritual, o marido (nesse caso, um pastor) é o sacerdote da família terrena. Como sacerdote, o pai tem o dever de levar seus filhos à verdade "Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles" (Pv 22.6 NVI; Is 38.19b; Gn 18.19; Dt 6.7; Dt 6.6,7).

c) Pastor da família - Servir de exemplo é mais uma responsabilidade (1 Pe 5.3; 1Tm 4.12). Como pastor de sua família, o pastor há de ter três alvos para as questões espirituais: Conduzir seus filhos a Cristo; ajudá-los a amadurecer na fé; ensinar-lhes que o serviço cristão ajuda o crente a se renovar e reafirmar suas convicções.

 2.    O SEGREDO PARA A CURA DOS RELACIONAMENTOS
  O obreiro por mais encargos que possua, jamais deve delegar a responsabilidade da direção de seu lar. Isto significa que ainda que tenha uma agenda de compromissos cheia, sempre deverá ter um tempo para a sua esposa e filhos.
   As vezes o obreiro chega tão cansado e esgotado com os problemas das pessoas que perde a paciência em ouvir a esposa e os filhos.  Em muitos casos a família do obreiro fica negligenciada. Não basta que o obreiro seja líder da igreja, primeiro ele deve ser líder de seu lar e que esta liderança seja exemplar.

·         TEMPO DE LAZER
  Muitos obreiros tem a noção equivocada de que o lazer com a família é uma perda de tempo. É preciso deixar o ativismo de lado e passar algum tempo com a esposa, com os filhos, com os amigos; pois isso restaura e amplia os relacionamentos. Passeios, viagens, ou mesmo uma simples refeição juntos servirão para fortalecer os laços familiares.

·         TEMPO DE INTERAÇÃO
 A falha na comunicação tem sido uma das principais causas do fracasso na família. O obreiro que busca uma boa comunicação com sua esposa e filhos resolverá os problemas que surgem no lar com mais facilidade. O obreiro deve dialogar com a esposa e os filhos com muito carinho, pois a família tem sentimentos que precisam ser entendidos com sensibilidade e isto é demonstrado através de:
a)  Expressão verbal - Dizer a esposa e aos nossos filhos que os amamos é o mínimo que podemos fazer. Expressões como: “Eu amo você”, “você é muito importante para mim”, “sou grato a Deus por tua vida”, “você é um presente de Deus para nós”, são simples mas produzem um resultado maravilhoso.
b)  Gestos Carinhosos - Palavras muitas vezes não expressam tudo. É preciso gestos! Um afago, uma carícia, segurar com carinho as mãos podem ser expressões mais fortes que as palavras. Juntas, produzem uma revolução de amor.
c)  Valorizar Suas Idéias e Coisas - Ouvir a esposa e os filhos: suas ideias e ideais. Interessar-se pelo que eles se interessam. Buscar suas opiniões e sugestões. Dar oportunidade para que se expressem e participem das decisões. Tudo isso são formas de dizer: “O que vocês são e dizem são importantes para nós”. Respeitando seus gostos e desejos e, levando-os a alcançarem seus alvos, ajudaremos na formação da autoestima deles.
d)    Diálogo em família – ensinando os filhos sobre: educação sexual, o perigo das drogas, comportamento social (evitando as más companhias), tarefas domésticas, habilidades manuais, conduta frente ao sexo oposto, bem como as decisões profissionais. Ensinar as sagradas escrituras aos filhos (2Tm 1.5; 3.14-15).

·         TEMPO DE ORAÇÃO E MEDITAÇÃO NA PALAVRA DE DEUS
    A família que ora e adora a Deus unida; que fala e medita no lar a respeito da Palavra de Deus num ambiente de amor cristão genuíno descobre que toda área problematica da vida familiar tem solução em Deus. O lar constituído em Deus sempre encontra  um caminho para resolver qualquer conflito que possa aparecer. 
   Em virtude dos muitos compromissos, nas residências de muitos obreiros já não há culto doméstico, Lutero o reformador do século XVI não abria mão do tempo com sua família. Lutero sua esposa e seus seis filhos ficavam a volta do harmônio louvando a Deus e meditando na Palavra de Deus que traduzira para o povo alemão.

   Pratique o que as Escrituras dizem ao invés  de sentimentos ou da sabedoria humana. “Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento. Reconheça o SENHOR em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas” (Pv 3.5-6). Muitas famílias no momento da crise preocupados buscam fontes de orientação fora da Bíblia. Os obreiros aceitam a autoridade da Palavra de Deus  no que diz respeito à salvação, adoração ou governo da igreja. Por que seria diferente a respeito da família ?


[1] Daí a palavra submissão = "estar debaixo [sub] da mesma missão", cf. Cl 3.18; 1Pe 3.1,5; Ef 5.22,24; 1Pe 1.22; 4.8; Cl 5.13; Rm 15.7.
[2] A Doutrina Bíblica do Ministério, pág.88
[3]  Extraído de Ministério Pastoral (CPAD), pags. 163-164.

Nenhum comentário:

Postar um comentário