segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Minha Missão no Mundo

   Uma das questões mais cruciais é a definição do próprio conceito de missão. O que se deve entender por missões cristãs? Qual é a natureza e os objetivos da missão da igreja?
1)   Adorar a Deus, a primeira missão da Igreja
  O que significa para você adoração? Cristo nos diz que o Pai procura verdadeiros adoradores (Jo 4.23). Deus quer que aqueles que aproximam-se dele o façam com fé, afastados do pecado, entregando suas vidas a Ele, caso contrário, será uma adoração teatral, falsa.
    Os verdadeiros adoradores devem corresponder as exigências da verdadeira adoração “em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Quando nossa adoração é ministrada em espírito e em verdade é arrancada a máscara da hipocrisia, trazendo-nos o temor que afasta de nós qualquer religiosidade mecânica e falsa.
1.1 - O que significa adorar?
·                     Adorar é render-se a Deus
   A humanidade hoje curva-se aos deuses modernos, assim como os povos do passado curvavam-se aos seus deuses.  Quando o crente rende-se ao Senhor está reconhecendo a sua inferioridade e dependência  colocando sua vida ao dispor de Deus.

·                     Adorar é servir a Deus
  A  adoração também diz respeito ao servir (gr. Latreia[1]) Traz em si a idéia de servir. Nas Escrituras a relação entre Deus e o homem é a de senhor/escravo. Paulo em Rm 12.1 emprega “latreia” ou “culto” para descrever a entrega do corpo como sacrifício vivo a Deus.

·                     Adorar é realizar serviço à Deus 
     “Leitorgeo” vem do grego  “laos” “povo” e  “ergon” “trabalho”, os tradutores do AT usaram este vocábulo para indicar o ministério sacerdotal. Os sacerdotes apresentavam-se diariamente para realizarem seu serviço (leitorgia) . Porém, foram superados por Cristo, o sumo sacerdote do Santuário Celestial (Hb 8.2) que é o “leitourgos”, o ministro sagrado. Por intermédio deste termo, o NT mostra o que é a adoração verdadeira. Quem serve a Deus (At 13.2) , serve a igreja e assim por diante.

2. Comunhão, a segunda missão da Igreja
   No Novo Testamento, “koinonia” (gr.) comunhão significa "ter em comum". A igreja primitiva partilhava as refeições com freqüência (Atos 2-.46); enfrentava unida as crises. (Atos 4:23-24); repartindo os recursos no atendimento das necessidades práticas dos irmãos (At 4.34; 6.1); reunia-se freqüentemente nas casas (At 5.42)
A verdadeira comunhão é transparente e confiante; e ao andar na luz dessa comunhão, as vidas podem ser purificadas do cativeiro e da desobediência (1 João 1:7). A koinonia verdadeira resulta em progresso, crescimento e vitória, como também em paciência e compreensão mútuas até chegar a este objetivo.

·         Comunhão é serviço
  Se queremos realmente como igreja cumprir nossa missão, temos de entender que comunhão também é servir aos irmãos em suas necessidades. Paulo pediu uma oferta aos irmãos da Macedônia em favor dos irmãos necessitados de Jerusalém (2 Co 8.4). Porém, a principal necessidade dos crentes , é espiritual, chegar a maturidade (Ef 4.13; Cl 1.28).

·         Comunhão é ministério
 Para que a igreja alcance a maturidade espiritual, é necessário o aperfeiçoamento, que somente poderá ser atingido através do pleno entendimento da obra redentora de Cristo, do ensino da Palavra de Deus gravada nos corações pela instrumentalidade do Espírito Santo.  Este ministério de edificação cabe ao obreiro de Cristo como despenseiro de Deus (1Co 4.1; 1Pe 4.10)

3. Evangelização – A terceira missão da Igreja
    Vivemos em um mundo onde 27% da população ainda não ouviu o Evangelho, isto é mais de um bilhão de pessoas. Enquanto muitos cristãos sentem-se seguros na comodidade de suas igrejas, milhões estão perecendo.
   A igreja de Cristo tem uma grande responsabilidade para com o mundo perdido. O Mestre disse: “o campo é o mundo”  Mt 13.38. John Wesley, o grande evangelista e fundador do metodismo captou a visão de Cristo quando disse: “O mundo é a minha paróquia” .


 A nossa sociedade tem rejeitado os valores e princípios ensinados pela Palavra de Deus. Vivemos em plena era da pós-modernidade, onde se diz que nada é absoluto, tudo é relativo. Alan Pallister diz que “o único crime em um mundo assim é dizer que a verdade que eu sigo e tento praticar é a verdade.[2] O pluralismo religioso gera o relativismo ético que se reflete na desintegração da família e numa sociedade em crise cada vez mais distante de Deus. 
O relativismo defende que o conceito do certo e do errado dependem dos resultados positivos das atitudes da sociedade, isto é, se a liberação das drogas e se a pena de morte baixarem os índices de criminalidade e violência, são válidos. 
Assim, o  conceito do certo e do errado são determinados pelo contexto social. Os valores mudam com as mudanças da sociedade. Antigamente o homossexualismo era vergonhoso, hoje a sociedade começa a aceitar. Neste caso, a ética segue as mudanças da sociedade, isto é, sempre mudando. 
   Nunca foi tão relevante e atual buscar uma ética cristã bíblica como nesta era, onde os valores morais judaico-cristã tem sido rejeitados e até mesmo ridicularizados por esta permissiva sociedade atual.  Eis algumas características do mundo atual: 
  Paulo escreveu a Timóteo, (2 Tm 3.2), apontando como seria a sociedade dos últimos tempos, mostrado claramente o pensamento e o comportamento da maioria das pessoas em nossos dias, com as seguintes características: 
·         Egoístas  -  Pessoas que pensam só em si próprias e em suas paixões carnais. A nossa sociedade é a sociedade do individualismo.  Podemos dizer que o mundo moderno, tem como deus, o “EU”. Friederich Nietzsche entendia que a única moral aceitável é a glorificação de si mesmo.
·         Blasfemadores - Pessoas que não se importam em afirmar coisas sobre outros indivíduos o que não podem provar, como se fossem verdades, sem se importar no que isso poderá causar nas pessoas. Ofendem e zombam de Deus sem qualquer temor. 
·         Desobedientes aos pais -  Nessa sociedade permissiva, nem mesmo as crianças querem viver sob a tutela dos pais, querem ser donos das suas próprias vidas. 
·         Irreverentes - Não respeitam ninguém, nenhuma  autoridade, não tratam as pessoas com respeito, não respeitam nem a si mesmos. Não tem qualquer respeito pelas coisas de Deus, nem pelo próprio Deus. 
·         Sem domínio de si -  São pessoas que não conseguem se controlar, nem pensam no resultado das suas atitudes. São impulsivos, temperamentais, passionais. 
·         Inimigos do bem - Tem um pendor para tudo aquilo que destrói a sociedade, tudo aquilo que degrada o homem e o seu próximo.   
·         Atrevidos  - Nem mesmo o medo da morte tem posto freio nas ações de muitas pessoas. Muitas delas correm todos os riscos para praticarem seus desejos insanos. 
·         Amigos dos prazeres - O princípio que rege a nossa sociedade é o prazer, não importando o que venha  custar. O hedonismo ensina que o critério supremo é o prazer. Na ética deste mundo as paixões e os impulsos internos apresentam-se como paradigma irresistível na busca da satisfação imediata. 
  O cristão observa a Palavra de Deus como norma universal que define o que é certo e o que é errado, como diz Salomão “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12.13). A Palavra de Deus não muda diante das circunstâncias. Jesus afirmou: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mc 13.31).  




[1] Este vocábulo grego é usado mais de 90 vezes na LXX.
[2] Ética Cristã Hoje

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