“Nossos pais adoravam neste monte;
vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
Disse-lhe Jesus: Mulher, podes
crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o
Pai... Mas vem a
hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e
em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores..Deus é
espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade
(Jo 4.20-24).
As perguntas feitas pela samaritana a Jesus
continuam pertinentes hoje, pois, boa parte dos membros de nossas igrejas nem
fazem idéia dos fundamentos bíblicos do culto ao Senhor. Neste diálogo do
Salvador com a Samaritana, foram revelados os fundamentos da verdadeira adoração:
Não está presa a nenhuma “geografia eclesiástica”
“Nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis
o Pai” - A genuína adoração ao verdadeiro Deus que é espírito limita sua
natureza divina singular (1 Rs 8.27; 2 Cr 2.6; 6.18). Deus não está preso a nenhuma cidade sagrada
como Roma, Meca ou mesmo Jerusalém. O local não é importante, nem monte, nem
templo, nem mesmo rituais, pois é em nosso espírito que podemos desfrutar
amizade, comunhão e intimidade com Deus. A superstição pagã ou mesmo neopentecostal
procura símbolos, amuletos, objetos ungidos como pontos de contato com o
Divino, porém, os verdadeiros adoradores aprenderam a adorar o Senhor em
espírito e em verdade, Deus é espírito e como tal comunica-se no interior do
ser humano. O verdadeiro culto é quando o espírito, a parte imortal e invisível
do homem, fala a Deus e encontra-se com Ele que é imortal e invisível.
Não é ritualismo
Deus é espírito e exige adoração em
espírito. Os judeus amavam as
cerimônias, as festas litúrgicas, entretanto, o culto genuíno não é engessado
pelo formalismo dos rituais. O culto oferecido a Deus em espírito e em verdade
não é produzido por frases de efeito, palavras mecanizadas ou mesmo orações
repetitivas, é uma entrega quando sob o domínio do Espírito de Deus somos
capacitados a morrer para nós mesmos e para a lei sendo crucificado com Cristo
(Gl 2.19; Cl 3.3-5).
Não é emocionalismo
Culto
não deve ser confundido com emocionalismo. É verdade que o Senhor deseja que a
nossa adoração não seja desprovida de sentimento, porém, o sentimento sem o
equilíbrio das Escrituras torna-se sentimentalismo e a emoção fora do controle
das Escrituras descamba para o emocionalismo.
Não é existencialismo
A ênfase que pode ser vista na adoração em
muitas igrejas hoje gira em torno da experiência, antes das Escrituras. As pessoas apenas buscam sensações por isso hoje a
grande quantidade de cânticos e hinos de auto-ajuda e auto-aceitação que são
cantados em nossas igrejas. Pregações psicológicas e com temas do gênero que
fazem as pessoas irem para suas casas "descarregadas" e se sentindo
bem, mas sem terem adorado a Deus
verdadeiramente. O desejo de ser feliz e
prosperar é maior do que o de viver uma vida de santidade diante do Senhor.
A maior parte das pessoas avalia o culto
como "agradável" não com base no conteúdo bíblico, mas no grau de
"satisfação" pessoal alcançada. Destarte a pregação tornou-se uma
homilética de consenso, na qual a boa mensagem não é a que confronta os
pecados, mas a que faz a pessoa se sentir melhor. O grande risco deste tipo de adoração é o de
"usar a Deus, antes que atribuir-lhe a devida glória.
Não vem do racionalismo
Os samaritanos não aceitavam a Palavra de
Deus na sua totalidade, aceitavam somente o Pentateuco. Sua adoração era
defeituosa, pois não aceitavam completamente as Escrituras. Temos de observar
toda a Escritura e não apenas as partes que concordamos. A verdadeira adoração
não depende do endosso da intelectualidade, nem carece ser fruto da lógica.
É Teocêntrica
Deus, e somente Ele deve ser o alvo da
adoração cristã. Idolatria é deixar de glorificar a Deus e mudar "a glória do Deus incorruptível
em semelhança da imagem de homem corruptível" (Rm 1.21,23). Nem religião
nem adoração podem ser definidas à parte de Deus, pois a adoração é a resposta
da criatura à glória revelada do Criador. A verdadeira adoração
sempre exaltará Cristo (Ap 5.12), transformará o adorador (2 Co 3.18-19),
convencerá o incrédulo da presença do adorado entre os adoradores (1 Co
14.24-25).
É sem
discriminação
Os
discípulos do Senhor ficaram admirados de verem o Mestre dialogando com uma
mulher samaritana (Jo 4.27). Preconceitos raciais não combinam com a verdadeira
adoração a Deus. Sob o Evangelho todas as pessoas, de todas as tribos, povos e
línguas são chamados para adorarem ao Deus verdadeiro, que não faz acepção de
pessoas (Cl 3.11; Dt 10.17; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; 1 Pe 1.17).
É Transformadora
A
samaritana depois de encontrar-se com Cristo foi transformada. Deixou sua vida
de adultério tornando-se uma verdadeira missionária. Todos os que desejam
realmente adorar a Cristo são transformados, porque jamais uma pessoa que
verdadeiramente passa a conhecer, louvar, exaltar, adorar a Deus permanece a
mesma.

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