segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Os Fundamentos Bíblicos da verdadeira adoração



   “Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai... Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores..Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.20-24).
   As perguntas feitas pela samaritana a Jesus continuam pertinentes hoje, pois, boa parte dos membros de nossas igrejas nem fazem idéia dos fundamentos bíblicos do culto ao Senhor. Neste diálogo do Salvador com a Samaritana, foram revelados os fundamentos da verdadeira adoração:

Não está presa a nenhuma “geografia eclesiástica”
  Nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” - A genuína adoração ao verdadeiro Deus que é espírito limita sua natureza divina singular (1 Rs 8.27; 2 Cr 2.6; 6.18).  Deus não está preso a nenhuma cidade sagrada como Roma, Meca ou mesmo Jerusalém. O local não é importante, nem monte, nem templo, nem mesmo rituais, pois é em nosso espírito que podemos desfrutar amizade, comunhão e intimidade com Deus.  A superstição pagã ou mesmo neopentecostal procura símbolos, amuletos, objetos ungidos como pontos de contato com o Divino, porém, os verdadeiros adoradores aprenderam a adorar o Senhor em espírito e em verdade, Deus é espírito e como tal comunica-se no interior do ser humano. O verdadeiro culto é quando o espírito, a parte imortal e invisível do homem, fala a Deus e encontra-se com Ele que é imortal e invisível. 

Não é ritualismo
   Deus é espírito e exige adoração em espírito.  Os judeus amavam as cerimônias, as festas litúrgicas, entretanto, o culto genuíno não é engessado pelo formalismo dos rituais. O culto oferecido a Deus em espírito e em verdade não é produzido por frases de efeito, palavras mecanizadas ou mesmo orações repetitivas, é uma entrega quando sob o domínio do Espírito de Deus somos capacitados a morrer para nós mesmos e para a lei sendo crucificado com Cristo (Gl 2.19; Cl 3.3-5).

Não é emocionalismo
     Culto não deve ser confundido com emocionalismo. É verdade que o Senhor deseja que a nossa adoração não seja desprovida de sentimento, porém, o sentimento sem o equilíbrio das Escrituras torna-se sentimentalismo e a emoção fora do controle das Escrituras descamba para o emocionalismo.

 Não é existencialismo
   A ênfase que pode ser vista na adoração em muitas igrejas hoje gira em torno da experiência, antes das Escrituras. As pessoas apenas buscam sensações por isso hoje a grande quantidade de cânticos e hinos de auto-ajuda e auto-aceitação que são cantados em nossas igrejas. Pregações psicológicas e com temas do gênero que fazem as pessoas irem para suas casas "descarregadas" e se sentindo bem, mas sem terem  adorado a Deus verdadeiramente.  O desejo de ser feliz e prosperar é maior do que o de viver uma vida de santidade diante do Senhor.
   A maior parte das pessoas avalia o culto como "agradável" não com base no conteúdo bíblico, mas no grau de "satisfação" pessoal alcançada. Destarte a pregação tornou-se uma homilética de consenso, na qual a boa mensagem não é a que confronta os pecados, mas a que faz a pessoa se sentir melhor.  O grande risco deste tipo de adoração é o de "usar a Deus, antes que atribuir-lhe a devida glória.

Não vem do racionalismo
   Os samaritanos não aceitavam a Palavra de Deus na sua totalidade, aceitavam somente o Pentateuco. Sua adoração era defeituosa, pois não aceitavam completamente as Escrituras. Temos de observar toda a Escritura e não apenas as partes que concordamos. A verdadeira adoração não depende do endosso da intelectualidade, nem carece ser fruto da lógica.

 Características da verdadeira adoração

É Teocêntrica
   Deus, e somente Ele deve ser o alvo da adoração cristã. Idolatria é  deixar de glorificar a Deus e mudar "a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível" (Rm 1.21,23). Nem religião nem adoração podem ser definidas à parte de Deus, pois a adoração é a resposta da criatura à glória revelada do Criador. A verdadeira adoração sempre exaltará Cristo (Ap 5.12), transformará o adorador (2 Co 3.18-19), convencerá o incrédulo da presença do adorado entre os adoradores (1 Co 14.24-25).

 É sem discriminação
    Os discípulos do Senhor ficaram admirados de verem o Mestre dialogando com uma mulher samaritana (Jo 4.27). Preconceitos raciais não combinam com a verdadeira adoração a Deus. Sob o Evangelho todas as pessoas, de todas as tribos, povos e línguas são chamados para adorarem ao Deus verdadeiro, que não faz acepção de pessoas (Cl 3.11; Dt 10.17; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; 1 Pe 1.17).

 É Transformadora
   A samaritana depois de encontrar-se com Cristo foi transformada. Deixou sua vida de adultério tornando-se uma verdadeira missionária. Todos os que desejam realmente adorar a Cristo são transformados, porque jamais uma pessoa que verdadeiramente passa a conhecer, louvar, exaltar, adorar a Deus permanece a mesma.


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